Sevilha: Real Alcázar, Catedral, Tourada e Flamenco

Para o segundo dia em Sevilha, já tínhamos comprado com antecedência o ingresso para o Real Alcázar, no site https://www.alcazarsevilla.org/en/ (cuidado, pois esse é o único site oficial para venda desses ingressos!). A entrada custa 18,50€, já incluso o audioguia. A entrada estava marcada para as 10:30, e a recomendação é chegar à bilheteria com 15 minutos de antecedência. Fomos andando a partir do hotel, passando pelos Jardínes de Murillo e pela calle Água, na Judería. As filas para quem compra na hora são imensas, então pense na possibilidade de comprar sua entrada com antecedência!

Com mais de mil anos, o Alcázar é uma das mais antigas residências reais da Europa. Um conjunto de palácios - muitas vezes chamado de Reales Alcázares, no plural - que serve de aperitivo para a Alhambra de Granada. Você pode fazer a visita de forma livre, mas é recomendável alugar o audioguia (tem explicações em português) e seguir o percurso sugerido. Pegar um tour em grupo também é uma boa. É muita história para você ir embora tendo só visto uns cômodos bonitos.

A riqueza de detalhes é algo que chama a atenção nos Alcázares. No teto, nas paredes, rodapés, pisos, colunas - para onde você olha, verá a influência da arquitetura mudéjar

Real Alcázar de Sevilha começou a ter o seu aspecto atual depois da conquista de Sevilha, em 713, pelos árabes. Eles utilizaram os alcáceres como residência dos seus líderes a partir de 720. O conjunto é a soma de construções desenvolvidas em diferentes estilos de arquitetura. Isso porque o Alcázar levou anos até ser concluído e passou por diversas reformas, o que permitiu que ele agregasse elementos dos períodos árabe, gótico, renascentista e barroco. O estilo dominante, no entanto, é o mudéjar, muito comum em toda a região da Andaluzia, e se refere à arte cristã que incorpora elementos estéticos islâmicos.

 A fachada do Palácio de Pedro I

Visão do Pátio de las Doncellas 

Detalhes do Pátio de las Muñecas, a zona do palácio que estava destinada à Rainha 

Cúpula do Salão dos Embaixadores, o local mais suntuoso do palácio

Passear pelos Jardins do Alcázar pode ser um dos passeios mais agradáveis da cidade, sendo possível encontrar elementos árabes, renascentistas e modernos. E, claro, dali você também vai observar a pontinha da Torre Giralda, que fica ali bem próxima.

A Fonte de Mercúrio, um dos pontos mais visitados dos Jardins

Os detalhes e a personalização também estão presentes na cerâmica mais moderna presente no palácio

Sem falar que é um espaço bem fotogênico! Aproveite :P

Calcule umas 3h para fazer a visita completa, com calma e com pausas para descanso. A entrada/saída do Alcázar já fica quase em frente à entrada da Catedral de Sevilha. Por ali, a oferta de restaurantes e bares é grande. Fique sempre atento à oferta dos menus do dia que ficam expostos na porta dos estabelecimentos. Sentamos no Gago 6, e pedimos uma paella com vinho. Se curtir frutos do mar, não deixe de provar a paella em Sevilha!

A tradicional paella sevilhana. Não deixe de experimentar!

Tínhamos conferido no dia anterior o horário da Catedral para visitarmos após o almoço. Se preferir comprar com antecedência, o site também tem venda antecipada https://www.catedraldesevilla.es/. O ingresso custa 9€ (no site, acrescente + 1€ de taxa de administração), e dá direito à entrada na Catedral, na Torre Giralda e no pátio das laranjeiras. Nas segundas, a entrada na catedral é gratuita. Não conseguimos alugar o audioguia, já que fomos num horário muito cheio, e não havia mais equipamentos disponíveis.

A fachada externa da entrada principal da Catedral

A Torre Giralda, vista da saída do Real Alcázar

Ao entrar na Catedral, chama a atenção o estilo gótico empregado na construção, além das várias capelas presentes ao longo da estrutura. Com muitos arcos góticos, e uma altura impressionante, você se pegará várias vezes olhando boquiaberto para o teto. Um dos pontos mais visitados é o mausoléu de Cristóvão Colombo, cujo túmulo é sustentado por estátuas que representam os reinos de Castela, Aragão, Navarra e Leão, que mais tarde vieram a formar parte daquilo que a gente hoje conhece como Espanha. Você também não vai conseguir não parar para admirar a grandeza do altar central.

O órgão da Catedral, com suas colunas e abóbadas góticas 

O Mausoléu de Cristóvão Colombo

O altar principal e a sua riqueza de detalhes

A Torre Giralda ajuda qualquer um que esteja perdido em Sevilha. Com 105 metros de altura, basta olhar para o alto e localizá-la entre as construções. Para subir na torre, é preciso disposição. O seu campanário é alcançado percorrendo 35 rampas e 17 degraus. Ao chegar lá em cima, você ainda precisa disputar espaço com outras pessoas para acessar os pequenos mirantes para conseguir ter uma visão panorâmica.

Ao descer da torre, terminamos a visita passeando entre as laranjeiras do Patio de Los Naranjos. São fileiras e mais fileiras de pés de laranja, fontes e sombra para descansar. Por ali, também estão a loja de souvenir e os banheiros para quem precisar.

Visto do alto da Torre Giralda, o Pátio de los Naranjos

Como já tínhamos explorado o bairro de Santa Cruz no dia anterior, resolvemos ir caminhando até o bairro de Triana, uma referência boêmia da cidade. Tínhamos comprado, no dia anterior, ingressos para assistir a um show de flamenco no Teatro Flamenco Triana. Além desse, encontramos boas recomendações dos show da Casa de la Memoria e do Museo del Baile Flamenco, mais turísticos.

Caminhamos pelo centro até quase a Puente de Isabel II (Puente de Triana), quando passamos pela Plaza de Toros Real Maestranza. A movimentação de locais nos bares próximos era grande, e ficamos curiosos para saber o que estava acontecendo. Naquele dia, ocorreria uma Corrida de Toros  com um conhecido toureiro da região. Lucas resolveu desistir do show de flamenco e ficou para assistir à tourada, que ele descreve um pouco a seguir:

"Estava a caminho de um show da flamenco quando me deparo com centenas de pessoas bem vestidas. Homens engravatados, mulheres de vestidos e maquiadas, era uma multidão sem fim. Pensei que era alguma missa especial, mas não, era uma tourada importante na cidade de Sevilha. Não pensei duas vezes, abri mão do flamenco para assistir a tourada.
Foi uma experiência boa, estar ali sentado na arena para assistir a uma tourada importante na cidade, um evento que faz parte da cultura raiz da Espanha. Senti a paixão dos espanhóis a cada grito de “olé”, a cada sequência de “dança” do toureiro com o touro, a cada “vitória” do homem contra o animal. Mas também confesso que senti uma angústia ao ver o touro sendo executado ao final de cada tourada, a cena se torna forte pra gente."
A arena lotada para assistir à tourada

Seguimos: eu, Matilde e Tereza rumo ao bairro de Triana para assistir ao show de flamenco. A Puente de Triana cruza o Rio Guadalviquir (que também vimos em Córdoba), e dali conseguimos ter uma visão da parte histórica e da parte boêmia da cidade. Continuamos no bairro pela calle Pureza, e passamos pela Capilla de los Marineros, que exibia o seu belíssimo andor da procissão da semana santa. Chegamos ao Teatro Flamenco Triana, que conta com um palco intimista e uma plateia reduzida. São dois dançarinos e três músicos apenas, fazendo música ao vivo. Intercalando entre números solo e em dupla, os artistas transmitem toda a representação dramática dessa arte. No entanto, esqueça os vestidos vermelhos e os leques enfeitados, pois essa apresentação é mais "raiz".

Da Ponte de Triana, vemos o bairro homônimo à direita, e o centro histórico está à esquerda. Ao fundo, à esquerda, a Torre del Oro

Da Capilla de los Marineros, o andor desfilado na procissão realizada por essa paróquia

Finalizamos a noite às margens do Rio Guadalviquir, apreciando o cair da nossa última noite em Sevilha (dessa vez! rs). No dia seguinte, percorremos novamente o centro histórico para comprar alguns abanicos (leques) e souvenires típicos. A cidade foi o melhor ponto na Andaluzia que encontramos para fazer esse tipo de compra.

Do lado do Bairro Triana, ao fundo vemos a Plaza de Toros Real Maestranza (construção arredondada)

Agora, nos vemos em Córdoba!

Maíra

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